segunda-feira, 25 de junho de 2012

Agilidade na resolução do Problema


A um mês suspenso, o campeonato brasileiro da serie C, mostra a burocracia que é o nosso país, mesmo estando envolvido e sendo prejudicado muitos clubes e vários atletas, ninguém chegar a uma solução para o empasse.
É algo injustificável o descaso que os dirigentes da CBF e a justiça estar dando para esse caso. Ainda termos dois empasse em dois estado diferente: no Acre e na Paraíba, e que precha na constituição continua com esse problema.
Outro ponto que gostaria de levanta, se foce os times tido como elite do futebol nacional, esse problema já não estaria solucionado? Infelizmente nosso país é puro interesse financeiro onde não respeitamos o próximo, também não temos uma postura ética, não estou falando apenas no futebol, mas o que estar acontecendo no esporte é um retrato do nosso Brasil.
E que todos os torcedores do Brasil e apaixonados por futebol esperam é que esse problema seja solucionado o quanto antes. Tenho esperança que esse país comece a mudar, e que a lei seja cumprida para todos.
Quero no próximo final de semana estar no estádio torcendo para o meu time de coração.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Santa Cruz bicampeão pernambucano 2012

Mensalidade de sócio do Santa Cruz, modalidade prata colaborador: 20,00 mensais


 Camisa oficial do Santa Cruz, padrão número 2 do ano de 2012: 159,90

Conquistar o bicampeonato pernambucano (2012) na Ilha do Retiro no dia do aniversário do Sport: não tem preço 




Alberto Bezerra de Abreu, 14/05/2012

quinta-feira, 15 de março de 2012

ZÉ TEODORO CONSEGUIU FAZER O IMPOSSÍVEL

Zé Teodoro conseguir fazer o impossível. Colocou o time todo errado e em consequência o Santa Cruz foi eliminado precocemente da Copa do Brasil.

Após um ano de sucesso, com titulo estadual e acesso a serie C, no ano de 2012 estarmos só dando vexame. Primeiro foi a derrota para o Sport, quando o técnico inventou e o time sem nenhuma pegada, onde a história se repetiu. E com um preço muito alto. Quando o Santa Cruz precisa mais de dinheiro, perdemos a premiação da copa do Brasil e a renda do jogo da segunda faze.

Zé Teodoro sempre pedir para a torcida apoia a equipe, mas não faz nada para incentivar a torcida. Como os torcedores vai  incentivar que dentro de campo o time mostra um futebol apático. E outro ponto que quero destacar e foi uns dos motivos da desclassificação do mais querido, foi o caso jogador Carlinho Bala que não jogou nada ontem, e a torcida não queria a sua volta para o mais querido mais mesmo assim o técnico passou por cima da torcida e contratou-o. Ontem deixou Renatinho de banco e escalou Carlinho Bala de frente, mesmo sabendo que não estava bem física, e no segundo tempo colocou Renatinho em campo e não tirou Bala, perdendo um jogador que resolveu a partida de Manaus, que foi o atacante Geílson.

Com essas atitudes o técnico estar conseguindo desfazer tudo o que fez o ano passado, e vai coloca novamente o Santa Cruz no fundo do poço, pois se continuar com esses mexe, mexe no meio campo não vamos conseguir nos manter no G4 do pernambucano.

Adeus Bala rubro negro e Zé, obrigado por tudo que vocês fizeram pelo Santa Cruz, mas o Santinha é maior que tudo e todos, e no momento não estar sendo útil, ainda mais na entrevista o técnico falou que não podemos fazer uma tempestade um copo d´gua, que para ele não é nada sermos desclassificado de uma competição na primeira faze .


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

No “clássico das emoções”, estas foram muito além dos gols

              Flávio "caça rato" Recife marcou um belo gol e abriu o placar no estádio dos Aflitos


            Jogadores corais comemoram o primeiro gol, na estreia do novo uniforme tricolor
Nesta jogado o meio-campo alvirrubro Cascata rompeu os ligamentos do joelho e não atuará mais pelo timbu o PE 2012



Por Alberto Bezerra

            Náutico e Santa Cruz entraram em campo no sábado (e por isso o jogo não foi televisionado, como fora o clássico anterior, disputado num domingo) em situações diversas: embora tendo perdido seu primeiro clássico para o Sport no fim de semana anterior, o time alvirrubro havia se recuperado no meio de semana e mantinha-se no topo da tabela, perdendo do Salgueiro apenas no critério de desempate; de quebra, a vitória timbu na quarta-feira mantinha os 100% de aproveitamento do time jogando em seus domínios, local onde seria disputado o clássico do qual agora nos ocupamos. Já o Santa Cruz, após haver sido derrotado pelo Araripina no sertão no fim de semana anterior, desperdiçou a chance de reabilitação diante do Central, jogando no Arruda. Uma vitória coral seria suficiente para espantar a má impressão deixada na quarta-feira (e de quebra deixaria ainda maiores dúvidas no ar acerca da capacidade do Náutico encarar adversários de nível técnico equivalente ao seu); uma derrota tricolor, entretanto, poderia ser o início duma crise. No final das contas, prevaleceu o empate e o destaque do jogo não vestia camisa tricolor ou alvirrubra, mas amarela: o árbitro Emerson Sobral, unanimidade negativa da partida.
            No primeiro tempo a iniciativa foi do time de casa: o timbu apostava nas bolas alçadas na área (provavelmente para aproveitar o péssimo desempenho da zaga coral neste tipo de jogada; curiosamente, de todos os jogos nos quais o tricolor sofreu gols, este foi o único em que nenhum deles foi de cabeça), enquanto o santinha apostava nos contra-ataques. E foi assim que o time do Arruda abriu o placar: aos 11 minutos, após um contra-ataque alvirrubro (que acabou com o jogador timbu derrubado, porém o árbitro, que iria marcar a falta voltou atrás ao ver o “bandeirinha” sinalizar erradamente impedimento) o tricolor bateu rapidamente o impedimento (fora do local correto); Carlinhos Bala carregou a bola e lançou Flávio “caça rato” Recife, que deixou o zagueiro para trás e, avançando pela direita, chutou cruzado de leve, tirando-a do alcance do goleiro Gideão e marcando um belo gol. O Náutico empatou aos 23 em falha do zagueiro Leandro Souza; Cascata aproveitou o passe de Siloé, girou dentro a área e acertou o canto esquerdo do goleiro Tiago Cardoso (outro belo gol, em que a bola ainda bateu na trave antes de entrar). Noutro erro bizarro de Leandro Souza (que afastou mal a bola), Cascata teve a chance dentro da área coral, mas chutou por cima, retribuindo assim o presente do defensor tricolor.
            Devido a grande quantidade de cartões amarelos distribuídos pelo árbitro (sobretudo para a equipe coral), o técnico Zé Teodoro decidiu modificar o time na etapa complementar: assim, o zagueiro André Oliveira foi substituído por Everton Sena e o volante Anderson Pedra deu lugar ao meia Luciano Henrique. E foi dos pés deste que saiu o segundo tento coral: em velocidade o atleta avançou pela direita e sua tentativa de cruzamento rasteiro para o meio da área foi interceptada pelo volante alvirrubro Elicarlos, que acabou jogando contra o patrimônio. Com o objetivo de garantir o resultado, Zé Teodoro tirou o meio-campo Natan e colocou o volante Sandro Manoel (que fez sua estréia pelo mais querido); entretanto, aos 48 minutos do segundo tempo o árbitro marcou pênalti de Leandro Souza em Souza; o volante alvirrubro cobrou bem e garantiu o empate alvirrubro, estragando assim a festa de 98 anos do Santa Cruz.
            Além da estréia de Sandro Manoel, a partida contra o Náutico marcou a estréia do volante Léo como titular da equipe (em virtude da contusão de Weslley); eis a escalação completa do Santa: Tiago Cardoso, Eduardo Arroz, Leandro Souza, André Oliveira (Éverton Sena) e Dutra; Anderson Pedra (Luciano Henrique), Memo, Léo e Natan (Sandro Manoel); Flávio Recife e Carlinhos Bala. Neste jogo, Luciano Henrique e, principalmente Carlinhos Bala demonstraram evolução no futebol apresentado; numa das jogadas mais importantes da partida, Bala avançou em velocidade pela intermediária adversária, mas chutou por cima, de fora da área; para quem achou que o atleta se precipitou (pois deixara o marcador para trás e poderia ficar cara a cara com o goleiro), cabe salientar que o jogador sentiu a coxa durante a arrancada e por isso optou por chutar de longe (veja entrevista do jogador neste link: (http://www.coralnet.com.br/noticias_ler.asp?id=16780). Pior: além de perder o gol, bala se machucou e ficou de fora do jogo seguinte da equipe tricolor. Aparentemente sua lesão não é grave. Menos sorte teve o meio-campista alvirrubro Cascata que, em disputa de bola com Bala, acabou rompendo os ligamentos do joelho e vai ficar cerca de 6 meses parado, não mais atuando no PE 2102; cabe salientar que o atleta coral não teve culpa pela lesão de Cascata (ao contrário do que se deu com o atacante timbu Rogério, tema este já abordado por nós em outra postagem), bem como que o lateral improvisado William Rocha do Sport também rompeu os ligamentos do joelho (sozinho) e será outro atleta que não mais atuará no PE 2012.
            Além das lesões, o chamado “clássico das emoções” trouxe vários desfalques para ambos os times, em virtudes da chuva de cartões amarelos distribuídos por Sobral: o Náutico perderia para a partida seguinte nada menos que seus três volantes: Derley, Elicarlos e Souza (além do lesionado Cascata); por sua vez, o Santa Cruz perdeu o zagueiro André Oliveira, o lateral direito Eduardo Arroz e o atacante Flávio “caça rato” Recife (além de Carlinhos Bala, lesionado). Assim se justifica o título deste texto: no “clássicos das emoções” estas não ficaram por conta apenas dos gols, mas das “cagadas” da arbitragem, que foi unanimemente reprovada.
            Cabe então abrir um parágrafo exclusivamente para comentar a arbitragem: o pênalti marcado aos 48 do segundo tempo foi absurdo: ao ver a imagem na TV vi já no primeiro lance que o volante timbu se jogou, ou seja, não foi no replay; tratava-se de um lance fácil e tal marcação causou revolta nos atletas corais que já se julgavam vencedores. Ao final da partida os jogadores do santinha ficaram em frente ao árbitro e o aplaudiram sarcasticamente. O fato é o seguinte: na jogada que originou o primeiro gol coral, o atleta alvirrubro sofreu falta na entrada da área tricolor (falta esta que seria marcada pelo juiz); como o “bandeira” havia marcado impedimento, o árbitro voltou atrás, mas errou, pois não havia impedimento. Assim o Náutico foi prejudicado. Também houve irregularidade na reposição de bola, pois time do Arruda bateu o impedimento não no local onde ele supostamente aconteceu e dai se originou o gol do santinha. Cabe salientar aqui o comentário de Lúcio Surubim no programa Lance Final: embora tenha havido dois erros da arbitragem, o timbu teve oportunidade de matar o contra-ataque tricolor e não o fez, tendo preferido ficar reclamando. Ora, um erro não justifica o outro, mas que o Náutico poderia ter evitado o primeiro gol coral, isso poderia. Dessa forma, não há como encarar o pênalti senão como uma compensação; em minha opinião o maior problema não foi tanto a marcação duma “penalidade” inexistente, mas o fato de a jogada não haver sido sequer duvidosa, (ou seja, tratou-se de algo verdadeiramente escandaloso, pois o defensor coral apenas encostou no atleta alvirrubro, que prontamente desabou), somando-se a isso o fato de sua marcação ter-se dado aos 48 minutos, como se a intenção fosse deliberadamente prejudicar o time das três cores. Aliás, uma das reclamações do pessoal do Santa foi que após a cobrança do pênalti o juiz encerrou o jogo prontamente (aparentemente haveria mais acréscimos). Mesmo sendo tricolor, discordo do comentário de ...
            Em jogo fora de casa o Sport fez sua parte e venceu o Serra Talhada por 2 x 1; como o segundo tento leonino, bem como o gol sertanejo foram de pênalti, o placar com a bola rolando seria 1 x 0. No primeiro tempo ambas as equipes se pouparam, em virtude do sol forte do sertão. Ainda assim, o domínio da partida foi do leão que, entretanto, não conseguiu abrir o placar, embora tenha posto o goleiro adversário para trabalhar. Na etapa complementar o rubro-negro adotou uma postura bastante ofensiva, chegando a atacar por vezes com 4 jogadores; aos 9 minutos Jheimy abre o placar para o Sport. Aos 24 o time leonino ampliou o placar com Marcelinho Paraíba, de pênalti. Também de pênalti o Serra Talhada descontou, com Kássio, o que não foi suficiente para evitar a quinta derrota consecutiva do cangaceiro.
            O resultado mais surpreendente da rodada (talvez o único realmente inesperado) foi a derrota do até então líder Salgueiro para o Belo Jardim que, jogando em casa, conquistou sua terceira vitória seguida (1 x 0), reabilitando-se assim dos resultados negativos que colheu no início do torneio. Assim, o Salgueiro perdeu a chance de tornar-se líder isolado da competição (antes dividia a ponta com o Náutico, superando-o no saldo de gols), pois se o time alvirrubro somou apenas um ponto na rodada, o carcará não conquistou nenhum, amargando sua segunda derrota no torneio, após uma bela seqüência de 5 vitórias consecutivas. Jogando em casa o América amargou mais uma derrota (2 x 1) em favor do Central e manteve-se com apenas 1 ponto conquistado em 7 partidas. Porto x Petrolina e Ypiranga x Araripina não passaram de empates sem gols e sem o menor interesse para este texto.
            Em suma, o destaque da rodada foram os tropeços dos dois lideres, o que contribuiu para tornar o campeonato mais interessante.

Alberto Bezerra de Abreu, redigido em 08-09/02/2012 ao som de Louis Armstrong

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Sexta rodada do PE 2012: a impressão do “clássico dos clássicos” (parcialmente) apagada

Em sua reestreira com a camisa do Santa Cruz no Arruda, Carlinhos Bala viu o time passar em branco
Jeferson Maranhão perde gol feito...
                                         ... e lamenta a oportunidade desperdiçada.
Também o Sport caiu em Salgueiro

                         Carcará sertanejo domou o leão da capital



Por Alberto Bezerra

            Primeiramente, cabe elucidar o título da postagem: tendo em vista que a situação do Náutico antes do clássico contra o Sport era a de um time com 100% de aproveitamento, enquanto a da equipe rubro-negra era a de um time que, após dois tropeços nas duas rodadas iniciais, vinha numa crescente contínua (3 vitórias seguidas), pairou no ar a seguinte dúvida: após a derrota alvirrubra, será que o timbu começaria a declinar, enquanto o leão engrenaria de vez? A resposta a esta pergunta foi negativa, já que na rodada seguinte (a sexta, sobre a qual escrevemos agora), trouxe-nos mais uma vitória do Náutico e a primeira derrota do Sport. Neste sentido, a impressão do clássico foi apagada. Por outro lado, se levarmos em consideração o fato recorrente da covardia timbu ante o leão (sobretudo nos domínios deste), a escrita de um Náutico que, por melhor que esteja, se amedronta diante do time da Ilha do Retiro permanece (dois exemplos recentes: 1)no primeiro jogo da final do pernambucano de 2010, após vencer o primeiro tempo por 3 x 0 nos Aflitos, o Náutico viu o Sport achar 2 gols – ou seja, marcá-los mais por sorte que por mérito – e viu sua vantagem para o jogo da volta ser diminuída; neste – na Ilha do Retiro – bastava ao leão uma vitória por 1 x 0 e foi exatamente isto o que aconteceu, sendo que o time alvirrubro não jogou nada, embora o mesmo valha para o Sport após este marcar seu gol, ainda no primeiro tempo; 2) no primeiro jogo da semi-final de 2011 o Náutico – que não havia perdido clássicos na fase de pontos corridos, vencendo Santa e Sport nos Aflitos e empatando com ambos nos campos destes –, o timbu foi facilmente derrotado por 3 x 1, o que lhe valeu novamente a derrota na somas dos resultados, já que no jogo da volta o alvirrubro venceria por 3 x 2). O que é importante frisar nestes exemplos não são as derrotas do Náutico, mas as atuações nitidamente apáticas, mesmo quando o time vinha desempenhando um futebol melhor que o do rival. Dito isto, passemos aos resultados dos jogos da sexta rodada do PE 2012.
            Comecemos pelo timbu, que conseguiu sua reabilitação jogando em casa contra o Ypiranga, que vinha pressionado em virtude de suas derrotas seguidas. Já aos 11 minutos da etapa inicial, Souza, em bela cobrança de falta pôs o timbu em vantagem. Logo em seguida o volante Derley aproveitou a assistência de Eduardo Ramos e ampliou o placar. O terceiro viria de um cruzamento, tendo a bola batido nas costas do zagueiro timbu Marlon, porém o árbitro assinalou o gol para Derley. O Ypiranga, que não oferecera resistência, limitou-se a marcar seu gol de honra no final da partida com Ludemar. Assim, o Náutico não só se recuperou da derrota no clássico, como manteve os 100% de aproveitamento jogando em seus domínios. Por sua vez, a equipe de Santa Cruz do Capibaribe amargou sua terceira derrota seguida.
            O duelo entre o embalado Sport (4 vitória seguidas) e o mais embalado ainda Salgueiro (5 vitórias seguidas e liderança da competição justamente em virtude da vitória rubro-negra contra o Náutico) foi certamente o jogo de maior destaque da rodada. Pessoalmente criei muita expectativa em relação a este jogo, pois até hoje permaneço indignado com a postura diferenciada de Porto e, sobretudo Central, em relação ao Santa Cruz por um lado (jogando muito contra o time coral) e a Náutico e Sport (principalmente este último), demonstrando submissão. Embora isto possa ser explicado em parte pela situação adversa do tricolor do Arruda (que ao disputar uma série D nacional passou a não ser encarado como clube tão grande assim, o que é natural), é fato patente que o empenho dos times caruaruenses ano passado foi bastante limitado contra alvirrubros e rubro-negros. Por isso a partida entre Salgueiro e Sport me chamou atenção, após o time sertanejo ter vencido o Santa por 2 x 0 na segunda rodada. De acordo com relatos da imprensa (embora o jogo tenha sido televisionado eu não o assisti) o jogo foi disputado (ao menos no primeiro tempo, que terminou sem gols). No entanto, já no início da etapa complementar, Fabrício Ceará marcou de cabeça (jogada forte do time sertanejo) e deixou o Salgueiro em vantagem. O segundo seria novamente de Ceará, desta vez em cobrança de falta que desviou em Hamilton e enganou o goleiro Magrão. E embora o placar final tenha sido o mesmo que o carcará impôs à cobra coral, cabe salientar que o time sertanejo teve um gol legítimo anulado pela arbitragem, o que significa que (em que pese o fato de o Sport não ter jogado tão mal quanto o Santa Cruz diante do Salgueiro), sua derrota deveria ter-se dado por placar mais elástico não fosse o erro da arbitragem. Assim o leão perdeu sua invencibilidade (seus dois tropeços iniciais foram empates) e o Salgueiro manteve a ponta, mesmo com a vitória do Náutico.
            Por sua vez, o Santa Cruz também buscava reabilitação e também jogou em casa mas, ao contrário do Náutico, não passou dum empate com o Central. O time coral entrou com a seguinte formação: Tiago Cardoso; Eduardo Arroz, Leandro Souza, André Oliveira e Dutra (Renatinho); Anderson Pedra, Memo, Luciano Henrique e Natan (Jefferson Maranhão); Flávio Recife e Branquinho (Carlinhos Bala). Embora a dificuldade dos atacantes tricolores marcarem gols fosse notória, o time de Caruaru entrou em campo com uma postura eminentemente defensiva, pois sua difícil situação na tabela não lhe permitia correr riscos. O que se viu durante o primeiro tempo foi o time de casa buscar o gol, porém fazê-lo sem qualidade, com direito a “furada” (mirar a bola e chutar o vento); a equipe visitante, por sua vez, limitava-se a defender, abusando das faltas (algumas delas violentas) e buscava o contra-ataque sem se expor; foi dessa forma que próximo do fim da primeira etapa o atacante alvinegro Lenilson foi derrubado por Eduardo Arroz próximo a linha da grande área: os jogadores do Central pediram pênalti, mas o árbitro marcou apenas falta, a qual foi desperdiçada pelo time visitante. Insatisfeito com o rendimento do time, Zé Teodoro mudou a equipe para a segunda etapa: Renatinho substituiu Dutra na lateral esquerda, tornando assim o time mais ofensivo, pois atuando nessa posição Renatinho joga como ponta, enquanto Branquinho deu a vaga a Carlinhos Bala, que fez sua reestréia com a camisa coral no estádio do Arruda. Tais alterações não surtiram efeito e ainda antes dois 15 minutos Zé pôs o meia-atacante Jeferson Maranhão no lugar do meia Natan. A torcida chiou, pois inicialmente a intenção do treinador era colocar o volante Léo (tanto que Zé chegou a mandá-lo aquecer para entrar na partida); aqui é importante tentarmos entender a cabeça do treinador: o time precisava da vitória e o técnico optou por tirar um meia e pôr um meia-atacante, o que faz sentido (é importante salientar isso, pois em geral Zé Teodoro é demasiado cauteloso em relação a deixar seu time mais ofensivo, expondo-o assim defensivamente); porém, embora Maranhão tenha participado ativamente do jogo, perdeu uma chance clara de gol. O fato é que Léo vinha sendo inequivocamente um dos melhores (senão o melhor) atleta coral, mesmo nunca tendo iniciado jogando neste campeonato. O mal-estar acerca da insistência do treinador em não escalar o volante como titular foi tamanha que aquele teve de justificar-se: segundo ele, Léo é menos combativo na marcação, e colocá-lo como volante faria o time se expor mais defensivamente (http://www.coralnet.com.br/noticias_ler.asp?id=16748). Após fazer suas três mudanças, a equipe tricolor viu seu adversário ter um atleta expulso, porém, nem assim o time do Arruda conseguiu abrir o marcador. Embora pressionasse, foi o Central quem quase marcou, mandando uma bola na trave (chute fraco, rasteiro e estranho, pareceu-me que Tiago Cardoso  subestimou o arremate e quase foi surpreendido). Empate com gosto de derrota para o santinha, não só por jogar em casa, e ter tido um jogador a mais durante parte do jogo, mas também em virtude da derrota para o Araripina no jogo anterior. Cabe aqui um comentário: acredito que este empate foi mais prejudicial ao time que suas duas derrotas, pois nestas o time não só jogou fora, mas foi ao sertão (longe e quente), e encarou equipes que se portaram bem em campo (o Salgueiro principalmente, tendo inclusive vencido também o Sport), enquanto o Araripina, mesmo não tendo conseguido vencer o leão, tirou-lhes dois pontos e deu trabalho ao Náutico, mesmo sendo por ele derrotado. O caso do Central parece-me ter sido diferente; embora não tenha acompanhado o jogo (não pude ir ao estádio e ouvi apenas parte da partida no rádio), ouvi o próprio treinador da patativa dizer no intervalo que o time jogou mal, pois não tinha posse de bola (jogar defensivamente não significa necessariamente não ter posse de bola); assim, a impressão que tive foi que o fracasso coral se deu quase que exclusivamente por incompetência própria (cabe salientar que em ambos os jogos no qual o santinha foi derrotado, os adversários não tiveram jogadores expulsos; em todos os demais jogos isso aconteceu, e mesmo assim, no caso do jogo contra o Central, o tricolor não conseguiu aproveitar sua vantagem numérica). Além disso, por jogar em casa o descontentamento da torcida bateu forte, até porque se o resultado conquistado foi ruim, o futebol apresentado foi péssimo. A não entrada de Léo repercutiu muito mal, bem comoo fraco futebol (recorrentemente) apresentado por Branquinho e, principalmente, Flávio “caça rato” Recife. Tudo que o santinha não precisava era de pressão para o clássico com o Náutico...
            No que concerne aos jogos dos times do interior, destaque para a vitória do Belo Jardim (jogando em casa e conquistando seu segundo triunfo consecutivo) diante do Serra Talhada (que após duas vitórias por goleada, só faz perder): 2 x 0.  A vitória do Petrolina (também jogando em casa) diante do Araripina (1 x 0) também merece destaque. Menos significativa foi a vitória do Porto (2 x 0), jogando em casa contra o cada vez mais lanterna América. Cabe aqui uma observação de algo que acabei de perceber: nesta rodada, todos os times que jogaram em casa venceram, com exceção do Santa Cruz =/

Alberto Bezerra de Abreu, 07/02/2012, redigido ao som de Sonny Clark

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Quinta Rodada PE 2012: “clássico dos clássicos” sem surpresa

                    Desta vez o penalti perdido por Weslley fez falta ao santinha
 Mesmo sendo o jogador mais lúcido do Náutico em campo, Souza não conseguiu levar o timbu ao empate
Marcelinho Paraíba volta e perder dente em jogo na Ilha do Retiro



Por Alberto Bezerra

            A quinta rodada do PE 2012 tinha como grande atração o primeiro clássico do ano, porém a rodada começou com um único jogo na tarde de sábado: Araripina x Santa Cruz, tendo o time da casa vencido por 2 x 0. O santinha entrou com a seguinte escalação: Tiago Cardoso; Eduardo Arroz, Leandro Souza, André Oliveira e Dutra (Renatinho); Anderson Pedra (Carlinhos Bala), Memo, Weslley e Natan (Luciano Henrique); Flávio Recife e Branquinho. Já no início do jogo o time coral foi surpreendido com um gol de cabeça (calo da equipe no campeonato até aqui) do time sertanejo. Aos 9 minutos o atacante tricolor Branquinho foi derrubado na área e assim como havia acontecido no jogo anterior, Weslley bateu fraco, rasteiro, no meio do gol e sem deslocar o goleiro adversário (leia-se atrasou a bola para o guarda metas), desperdiçando a chance do empate. Embora tenha pressionado o adversário e criado chances, o time do Arruda voltou a ser demasiado incompetente na finalização (outro calo da equipe no torneio) e não conseguiu empatar a partida no primeiro tempo. Sem alterações na etapa complementar, o Santa continuou padecendo dos mesmos defeitos, até que Zé Teodoro resolveu mexer na equipe: pôs Luciano Henrique no lugar de Natan e Carlinhos Bala (fazendo sua reestréia com a camisa coral) na vaga de Anderson Pedra, porém a produção da equipe não melhorou. Posteriormente, o treinador tricolor resolveu pôr Renatinho no lugar de Dutra na ala esquerda, tornando o time ainda mais ofensivo (pois Renatinho que originalmente é meio-campo quando joga de lateral atua mais como ponta), no entanto a incompetência do santinha em pôr a bola para dentro persistiu (após o jogo o comandante coral afirmou que ao contrário do jogo passado, na presente partida nenhuma de suas alterações surtiu o efeito desejado). Acompanhei parte da partida pelo rádio e ouvi os comentaristas criticarem o fato de Zé Teodoro ter posto o atacante Carlinhos Bala recuado (aparentemente o atleta – que substituiu um volante – não atuou como terceiro atacante, mas como meia). A não entrada de Léo (talvez o melhor jogador tricolor até então, embora não tenha jogado uma partida inteira sequer no torneio) também repercutiu negativamente para o treinador tricolor. E como diz o famoso jargão futebolístico, “quem não faz, toma”, tendo o time da casa ampliado o placar próximo do fim do jogo, sacramentando assim sua vitória. Cabe frisar que embora a equipe sertaneja tenha tido méritos, a falha defensiva coral no início do jogo, somada a grande quantidades de chances perdidas (o time criava, mas não conseguia pôr a bola na rede adversária) foram as principais causas da segunda derrota coral no sertão; como disse um radialista, o Santa Cruz perdeu um jogo que poderia ter ganho.
            Entre os jogos dos times “menores”, o que menos me chamou atenção foi o novo tropeço do Central (empate em 1 x 1 com o Petrolina, jogando em Caruaru); o Salgueiro, jogando fora de casa bateu o Serra Talhada (que após um início de campeonato arrasador, sofreu a terceira derrota seguida), e assumiu a liderança do PE 2012 devido a derrota do Náutico no clássico. O Ypiranga, jogando em casa foi vergonhosamente derrotado pelo Porto (4 x 1 para o gavião), enquanto no duelo dos piores o Belo Jardim se reabilitou em cima do América (que jogando em , casa foi derrotado por 3 x 1), ficando assim claro que a “lanterna” é do “mequinha” e ninguém tasca (infelizmente, pois simpatizo com o clube).
            Chegando enfim ao jogo mais importante da rodada, o primeiro clássico do ano, cabe salientar o contexto no qual a partida foi realizada: embora o Náutico estivesse a 8 anos sem ganhar do Sport no campo deste, o último confronto entre as equipes (brasileiro série B 2011 nos Aflitos) acabou com vitória alvirrubra por 2 x 0 com direito a golaço de Elicarlos e atuação apática do leão. Além disso, no PE 2012 o timbu vinha com 100% de aproveitamento (4 jogos, 4 vitórias), tendo marcado gols em todas as partidas, enquanto o rubro-negro tropeçara duas vezes, tendo passado em branco no jogo com o América na Ilha do Retiro (0 x 0 pela segunda rodada). Melhor momento do visitante, tabu a favor do time da casa, seria isto indício de jogo equilibrado? Definitivamente não foi isto o que se viu em campo, sobretudo nos 15 primeiros minutos da etapa inicial: com menos de 15 minutos o Sport já vencia o Náutico por 3 x 0, e sem muita dificuldade. Logo aos 6 minutos William Rocha (improvisado na ala esquerda) cruzou a meia altura; Marlon rebateu para o meio da área e Roberson, livre de marcação, mandou para o fundo das redes (a bola ainda bateu num defensor alvirrubro, acabando assim com qualquer chance de defesa para Gideão). Quando o jogo ainda estava 1 x 0 aconteceu um fato curioso: numa cobrança de falta na intermediária do ataque leonino, o técnico da equipe rubro-negra cobrou pressa ao meia Marcelinho Paraíba, mas o veterano jogador pediu calma ao treinador. Embora o atleta tenha demonstrado experiência (pois a afobação poderia levá-lo a bater mal e entregar a bola ao adversário), Mazola estava certo em querer aproveitar o domínio exercido pelo time da casa: a vantagem leonina logo no início da partida não foi acidental, pois o time da Ilha mostrava mais disposição, marcando a saída de bola adversária, correndo mais que o rival e demonstrando estar muito melhor postado (taticamente) em campo, enquanto o timbu se mostrava demasiado nervoso, com seus defensores errando passes curtos. Não deu outra: aos 11 minutos Diogo entrou em diagonal pela esquerda da área timbu e levantou no segundo pau para a cabeçada sem marcação de William Rocha que ampliou a vantagem do leão. Logo em seguida, em contra-ataque puxado com muita competência por Marcelinho Paraíba (que avançou pela direita da intermediária alvirrubra e rolou a bola para Roberson apenas empurrar para o fundo das redes) a equipe rubro-negra ampliou o marcador, num contexto que muito me lembrou a primeira partida da final do PE 2010, onde o Náutico, jogando nos Aflitos (contando na época com Carlinhos Bala, tendo Alexandre Gallo como treinador), meteu 3 x 0 no Sport (comandado por Givanildo Oliveira, que levou um xeque-mate tático) no primeiro tempo.
            Aos poucos o Náutico foi se assentando em campo e equilibrou o jogo (ou talvez o Sport tenha se acomodado com o placar dilatado, sendo que ambas as possibilidades não são auto-excludentes); de qualquer forma, o timbu tinha mais posse de bola e se mostrava menos nervoso, porém não tinha força ofensiva suficiente para ameaçar a defesa adversária (salvo exceções), até que o time alvirrubro teve uma falta na entrada da área a seu favor: o volante Souza bateu com perfeição, encobrindo a barreira, sem dar a menor chance para Magrão. Embora o gol tenha sido de suma importância, o Náutico não conseguiu mais ameaçar o adversário no primeiro tempo, exceto na bola parada (sempre com Souza, que desbancou Eduardo Ramos neste ofício). Iniciado o segundo tempo, quem esperava a continuidade da reação alvirrubra quebrou a cara: aos 15 minutos, o zagueiro Tobi apareceu livre no segundo pau e bateu de voleio, a bola bateu na trave e entrou. Sem opção, o técnico timbi Waldemar Lemos partiu para o tudo ou nada: tirou o apagado meia Eduardo Ramos e pôs o atacante Berger (cabe aqui salientar que a ausência de jogadores de peso no banco prejudicou deveras o Náutico, que já se perdera seu principal atacante – Rogério – na partida anterior, devido a uma grave lesão ocasionada por uma forte entrada de um atleta rival); após cobrança de escanteio, Berger conseguiu finalizar vencendo Magrão, mas Rivaldo conseguiu evitar o gol praticamente dentro da barra. Aos 25 minutos o zagueiro rubro-negro Montoya foi expulso com o segundo amarelo ao cometer falta em Siloé; aos 29 o timbu diminuiu a vantagem do rival: o lateral Jefferson conduziu a bola da esquerda para o meio e acertou um chutaço de perna direita da entrada da área, marcando um golaço. Quem pensou que o Náutico seria todo pressão se enganou: após marcar seu belo gol, Jefferson fez duas faltas seguidas e levou o segundo amarelo, sendo também expulso (cabe salientar que o atleta havia feito uma falta e imediatamente após a cobrança desta fez outra, sem a menor necessidade, de modo que sua expulsão adveio de pura e simples burrice). A Barbie, digo, o Náutico conseguiria ainda marcar seu terceiro gol sem mérito algum: após chute despretensioso da intermediária, Lenon viu seu fraco arremate desviar num jogador leonino e enganar Magrão, entrando sorrateiramente no canto direito do goleiro rubro-negro. Mesmo tendo recebido este verdadeiro presente, a equipe alvirrubra não teve forças para buscar o empate e amargou sua primeira derrota no estadual.
            Para finalizar o presente texto, cabe-me fazer algumas considerações: 1) para variar o Náutico esteve muito bem no campeonato, mas borrou-se todo diante do Sport (o mesmo aconteceu ano passado); 2) a defesa alvirrubra que estava invicta em 4 jogos levou 4 gols numa mesma partida (cabe aqui uma curiosidade: após marcar 8 gols e não sofrer nenhum em duas rodadas o Serra Talhada levou 4 gols do Santa Cruz; eu havia dito a minha mãe – que supostamente é alvirrubra – que o Náutico igualmente seria “desvirginado” com 4 gols do Santa e acabei acertando em parte, errei apenas o time que “descabaçaria” o timbu); 3) um aspecto positivo do Náutico ao final da partida foi a sóbria declaração de Eduardo Ramos que demonstrava ter sido normal a derrota num clássico, jogando na casa do rival (dos males o menor, o timbu perdeu, mas conseguiu livrar-se da goleada que vinha se desenhando no início tanto do primeiro quanto do segundo tempo); 4) me surpreendeu a declaração do técnico Mazola ao final da partida, que disse ter o Sport ganho de “um grande time”: humildade e Mazola Jr. Não costumam andar juntos, para o prejuízo deste; 5) a exemplo do que já ocorrera na partida entre Sport e Náutico pela série B do brasileiro de 2011 (cuja vitória foi do leão), Marcelinho Paraíba voltou a perder seu dente frontal numa trombada com um atleta adversário; o jogador pediu ao massagista que procurasse o dente e correu o boato (desmentido por Marcelo no dia seguinte) de que ele oferecera uma recompensa de mil reais para quem achasse seu pedaço perdido; 6) com o tropeço do Náutico o Salgueiro assumiu a ponta da tabela após 4 vitória seguidas, incluindo uma diante do Santa Cruz. E o carcará ainda voltaria a aprontar contra time grande...

Alberto Bezerra de Abreu, 04/02/2012, redigido ao som de Charlie Parker

Ps. O texto começou a ser redigido dia 03/02/2012, dia do aniversário de 98 anos do Santa Cruz; registro aqui minha homenagem ao “mais querido”.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

PE 2012 quarta rodada: consolidação da hegemonia dos “grandes”?

Léo, autor do primeiro gol coral: jogador refinado
            Renatinho comemora segundo tento tricolor com a Inferno Coral





Por Alberto Bezerra

Inicialmente o presente texto teria como aspecto central o fato de pela primeira vez no campeonato os três “grandes da capital” terem conseguido vencer numa mesma rodada; entretanto, de última hora percebi um problema, a saber, isto já acontecera na terceira rodada (como meu foco na rodada anterior foi a empolgante virada coral sobre o Serra Talhada, acabei deixando tal aspecto passar despercebido). Sem maiores problemas, coube-me apenas fazer uma pequena adaptação no escrito que agora vos apresento: encarar a quarta rodada do PE 2012 não como início, mas como possível consolidação da hegemonia dos grandes. Cabe aqui abrir um parêntese: não se trata de menosprezar os times considerados pequenos (aqueles que estão em condições de inferioridade financeira, que possuem poucos ou nenhum título e torcidas modestas), mas de analisarmos o campeonato duma maneira realista, pois, embora seja bastante comum que os times pequenos tirem pontos dos grandes em todos os campeonatos regionais (principalmente nas rodadas iniciais), é bastante difícil que um deles conquiste um título, dada as gritantes disparidades estruturais entre “grandes” e “pequenos”.
No caso do Náutico não houve novidade: quarta vitória do timbu em quatro jogos, desta vez contra o América, no estádio dos Aflitos. A vitória alvirrubra deu-se sem maiores dificuldades; a única consistiu em o time não ter conseguido abrir o placar no primeiro tempo (pairando no ar a dúvida acerca da possibilidade do “mequinha” conseguir segurar outro grande jogando em seus domínios, como fizera com o Sport na segunda rodada). No entanto (e como eu já frisara aqui), tal resultado não passara de um engano, servindo a vitória timbu sobre o América como apenas mais uma prova deste fato. O fato negativo da partida (que teve mais repercussão que o resultado) foi a forte entrada do lateral alviverde Maneco no atacante alvirrubro Rogério (um carinho rente a linha lateral) que ocasionou a ruptura de dois ligamentos do joelho do atleta (em imagens televisivas de vestiário pudemos ver que houve também um corte na canela do jogador, que precisou levar pontos). Estima-se que Rogério ficará pelo menos 6 meses longe do futebol. Faz-se necessário aqui dois comentários: 1) o atleta do América merecia sim ter sido expulso e merece alguma espécie de suspensão, pois foi deveras imprudente; 2) embora tenha sido uma entrada infeliz, a entrada de Maneco pode ser considerada criminosa (termo usado por alguns) no que concerne ao seu resultado, mas não a sua intenção, pois de fato o atleta visou (e atingiu) a bola, em seguida atingindo o jogador adversário. O que mais me chamou atenção foi a revolta com o árbitro: inicialmente pensei ter ele sido covarde, mas após relatos de que ele sequer daria amarelo, e só o fez por conta dos protestos dos jogadores do Náutico, ficou claro para mim o seguinte: ele não viu a jogada por um ângulo favorável e a responsabilidade por isso só pode lhe ser atribuída em parte, pois se  é obrigação do árbitro acompanhar os lances de perto, é igualmente obrigação de quem organiza os torneios (FIFA, CBF, FEP, etc.) dar subsídios aos juízes, o que efetivamente não acontece. Tal tema merece um texto específico. O fato é que em termos de regras o futebol está deveras arcaico, anacrônico, atrasado. Se há tanta resistência em permitir aos árbitros utilizarem imagens televisivas para terem maior segurança em suas decisões, o mínimo que se poderia fazer era aumentar o número de árbitros em campo.
Em Belo Jardim o Sport conseguiu vencer sem dificuldades o time que ostenta o nome da cidade, pelo dilatado placar de 3 x 0, consolidando assim sua reação no campeonato. Já no estádio do Arruda, o Santa Cruz enfrentou o Ypiranga (da cidade de Santa Cruz do Capibaribe), não parando por ai a relativa identidade entre os dois times, pois a equipe do agreste conta com o atacante Ludemar, que vestiu a camisa do tricolor pernambucano na série D do brasileiro de 2011, bem como com o técnico Dado Cavalcanti, que comandou a equipe coral em 2010. O time da casa entrou com a seguinte formação: Tiago Cardoso, Eduardo Arroz (Léo), Leandro Souza, André Oliveira e Renatinho; Anderson Pedra, Memo (Luciano Henrique), Weslley e Natan (Jefferson Maranhão); Flávio Recife e Branquinho e foi logo para cima do adversário, mas não teve competência para abrir o placar no início da partida e viu seu ímpeto ofensivo diminuir com o passar do tempo. Embora o goleiro Geday tenha feito muitas defesas, discordo da opinião dos radialistas que o consideraram o principal responsável pelo empate no primeiro tempo, pois penso que a maior parte de suas defesas foram fáceis, incluindo o pênalti (duvidoso, pois penso que foi bola na mão e não o contrário), batido de forma bisonha (fraco, rasteiro, no meio e “telegrafando”, ou seja, indicando onde vai bater) por Weslley. No final do primeiro tempo Júlio do Ypiranga foi expulso com o segundo amarelo, mas o placar não se mexeu.
Contando (mais uma vez, pois o mesmo aconteceu na maior parte dos jogos do Santa neste campeonato) com um jogador a mais, jogando em casa e não passando de um empate, o técnico Zé Teodoro resolveu ousar: Eduardo Arroz foi substituído por Luciano Henrique (que fez sua estréia com a camisa tricolor); o meia assumiu a posição de Weslley, que foi para a ala direita na vaga deixada por Arroz; Memo deu lugar a Léo (um a troca de jogadores da mesma posição – ambos volantes –, mas com características diversas, pois Léo tem excelente passe, dita o ritmo do jogo e auxilia com competência o ataque). E foi justamente Léo que abriu o marcador logo no início do segundo tempo: dominou uma bola afastada pela zaga e, na entrada da área, pelo lado esquerdo, deu um corte sutil no marcador e bateu colocado no lado esquerdo do goleiro Geday. Um golaço, esbanjando categoria. Com um jogador a menos e perdendo só restava à máquina de costura recorrer aos contra-ataques, mas não tendo êxito, viu a equipe coral ampliar sua vantagem aos 15 minutos com um chutaço de canhota de Renatinho da intermediária: outro golaço, novamente do lado esquerdo do goleiro adversário (é interessante salientar que no rádio se dizia – com certo excesso, como já frisei – que Geday estava pegando tudo, mas que como os chutes só iam para a sua direita, e como o único chute direcionado ao seu lado esquerdo no primeiro tempo lhe causou dificuldade, talvez a mina de ouro fosse chutar no seu lado esquerdo; penso que embora o lado esquerdo possa ser sim o mais fraco do goleiro, ambos os chutes foram muito bem executados, não havendo possibilidade de se falar em falha do arqueiro do Ypiranga). A beleza de ambos os gols foi tamanha que na edição do dia seguinte do Globo Esporte PE pediram para que Zé Teodoro escolhesse qual dos dois seria o candidato coral ao “gol do povo” naquela semana (ele escolheu o de Léo, que venceu os 2 concorrentes); por isso mesmo posto aqui os vídeos de ambos os gols.  Após o gol de Renatinho (que foi comemorar veementemente com a torcida organizada Inferno Coral, pois havia sido “flagrado” de boné – tentando passar despercebido – na torcida do Sport no jogo deste contra o Petrolina no estádio dos Aflitos, o que causou certo mal-estar – o atleta explicou que estava ali a pedido de sua namorada, que torce para o time rubro-negro – pois alguns torcedores do santinha acharam sua atitude errada) o Santa Cruz passou a administrar o jogo e o Ypiranga não fez maiores esforços para reverter o placar.
Quanto aos times do interior, o destaque foi o Salgueiro que, jogando em casa, bateu o Central por 3 x 0 (o time caruaruense, que tropeçara nas duas primeiras rodadas e se reabilitara em grande estilo ao golear o Porto por 4 x 0 voltou a perder o encanto, sendo derrotado por placar elástico); por sua vez o Porto tropeçou ao empatar (em casa) com o Araripina por 1 x 1. Por fim, o Petrolina (jogando em casa), bateu o Serra Talhada por 2 x 0, demonstrando assim que o bom futebol do “cangaceiro” não passou de “fogo de palha”.

Alberto Bezerra de Abreu, 02-03/02/2012, redigido ao som de Marcelo Camelo – “Toque dela”.